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Telas Do Tempo (III)

Sábado, 14.11.09

A Persistência da Memória, Salvador Dali

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Liberdade?

Quarta-feira, 25.02.09

Absurdo!

Absurdo é a palavra que me parece ser a mais adequada para descrever o que se passou na Feira do Livro em Braga.
Pensava eu que o tempo da censura e dos livros confiscados já tinha desaparecido do nosso país mas, o nosso Portugal está sempre cá para nos surpreender. Os falsos puritanos que, à luz do dia, batem no peito e que, quando podem, são as pessoas que mais mal fazem, são aí com um lápis vermelho sempre pronto a riscar o que supostamente estará contra do viver português.
 
Onde já se viu um livro exposto em que a capa é uma imagem de uma vagina? Nós, que somos tão certinhos, não podemos aceitar uma situação dessas?
 
Agora a sério!
Aonde nós vamos parar, meus amigos?
 
A imagem supostamente pornográfica é apenas uma grande obra de arte; uma obra do pintor oitocentista francês Gustave Coubert (1819-1877), o qual é considerado o fundador do realismo na pintura, pintada em 1866 e denominada A Origem do Mundo.
A obra, que foi conotada estupidamente pelos nossos grandes agentes da PSP como uma obra de teor pornográfico, chama-se Pornocracia e não Pornografia.
 
Juntar um nome muito semelhante a “pornografia” e adicionar uma pintura do sexo feminino dá uma mistura bombástica. Colocar este bolo numa Feira do Livro no nosso Portugal é bomba atómica de certeza e assim foi. Algumas pessoas não gostaram daquela pouca-vergonha e apresentaram queixa à PSP de Braga. Dois dias depois da apreensão (2 dias), a PSP percebeu que se tratava de uma obra de arte e devolveu todos os livros.
 
Sinceramente!
Estou mesmo a ver os senhores guardas lá na esquadra a verem se a sua apreensão era realmente algo que poderia animar os camaradas que iriam estar de serviço nos próximos dias e depois tiveram o azar de verem que aquilo nem era “pornografia” mas sim “pornocracia”. Mas que raio é isso, “pornocracia”?!
 
De acordo com a reportagem no Público de hoje e declarações do bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho e Pinto, isso foi “…um atentado à liberdade de expressão que lembra os piores tempos de antigamente.” Por sua vez, António Santos Carvalho, Juiz Desembargador, afirma que o que aconteceu em Braga identifica apenas “…o baixo nível cultural generalizado”.
 
E mais não digo.
Até pensei colocar a pintura de Coubert neste post, de forma a ilustrar a minha exposição, mas depois pensei que talvez fosse melhor não. Não fosse um dos meus visitantes um falso puritano ou um agente da PSP e ainda iam apreender o meu cantinho onde sou livre de expressar o que bem quero e como quero.

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Telas Do Tempo (II)

Quinta-feira, 04.12.08

Depois de algum tempo sem vir ao meu cantinho na blogosfera, venho partilhar um quadro muito especial para mim. Os Emigrantes, do píntor açoreano Domingos Rebelo, é mais uma Tela do Tempo que tenho o prazer de apresentar no meu blog.

Primeiro pelo facto de ser uma pintura de um artista açoreano; segundo pelo forte simbolismo que ela carrega; terceiro porque qualquer açoriano que sai da sua terra, mesmo por vontade propria, tem o rosto das personagens deste quadro.

O píntor Domingos Rebelo nasceu em Ponta Delgada a 03 de Dezembro de 1891. Tendo a sorte de ter nascido no seio de uma família de nome, a sua educação levou-o a bom porto e fez dele um dos maiores pintores dos Açores.

Apesar da sua prolongada estada em Paris, o seu espírito permaneceu sempre ligado aos Açores. A devoção que sentia pela sua terra natal está patente na maior parte das suas telas, nas quais retratou usos e costumes do povo açoreano, com destaque para as actividades tradicionais do mundo rural. Esta predominância de temas etnográficos marcam de tal forma a pintura de Domingos Rebelo, a ponto de alguns críticos o apelidarem de píntor-etnógrafo.

O quadro Os Emigrantes é justamente considerado o ex-libris da pintura açoreana e a obra-prima de Domingos Rebelo. Neste quadro, tudo tem o seu significado; tudo carrega o ser açoreano. A Viola da Terra, instrumento intrinsecamente açoreano; o registo do Senhor Santo Cristo dos Milagres; as vestes e as expressões que dão uma imagem da açorianidade vista pelos olhos do regionalismo; a velha cidade de Ponta Delgada deixada para trás; o mar ali tão perto, o meio de transporte para o mundo novo ... o desconhecido.

 

 

 

 

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por Paula Patricio às 23:15

Telas do Tempo (I)

Segunda-feira, 03.11.08

A partir de hoje, o Som das Letras terá uma nova rubrica dedicada à pintura.

Irei mostrar aos meus leitores as minhas obras de arte preferidas, algumas delas já vistas pessoalmente, outras apenas vistas em livros dedicados ao tema.


Como não sou uma entendida em história de arte, esta rubrica será inteiramente pessoal e com direito aos erros de um leigo na matéria. Mil perdões aos entendidos e façam o favor de me corrigirem.

 

Para iniciar a rubrica ""Telas do Tempo" escolhi uma obra de Velázquez - As Meninas - a qual se encontra no Museu do Prado, em Madrid.

Aquando da minha viagem a Madrid e ao visitar o Museu do Prado, uma das pinturas que me fez parar, olhar e apreciar foi essa.

 

 

A filha de cinco anos do rei Filipe IV da Espanha, a Infanta Margareta - Teresa, está no
centro da tela, cercada por sua escolta de criadas e anões. Velázquez representou a si
mesmo à esquerda da tela, pintando um imenso retrato do rei e da rainha, que podem vistos refletidos no espelho bem atrás da cabeça da infanta. Velázquez é um dos maiores pintores de retratos de todos os tempos, e este quadro é considerado a obra-prima de seus últimos anos. Foi pouco influenciado por outros artistas, embora em 1623 tenha sido nomeado pintor da corte de Madri e tenha entrado em contato com as obras de Tiziano da Coleção real espanhola. Também encontrou Peter Paul Rubens, que compartilhou seu estúdio por algum tempo e que, segundo se acredita, inspirou Velázquez a visitar a Itália. Velázquez era um profundo e sensível apreciador de caracteres. Sua obra se caracteriza pela harmonia de cores e tons e por uma combinação única do realismo com a atmosfera.

 

 

 

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por Paula Patricio às 18:27


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